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Que valor você agrega?

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Estamos vivendo na “Era do Compartilhamento”. Nós compartilhamos fotos, posts, links, idéias, dinheiro, bikes, carros, nossas furadeiras e até mesmo nossas casas! Isso mesmo, nossas casas! O site de compartilhamento de acomodações AirBnB – https://www.airbnb.com conta com mais de 9 milhões de usuários que compartilham mais de 500 mil acomodações, de quartos a castelos, em mais de 34 mil cidades de 192 países. Se viver e conviver em rede parece um caminho sem volta, eu trago uma reflexão para essa discussão: – Que competências são necessárias para nos relacionarmos e trabalharmos nessa nova realidade?

Para ajudar a responder a essa pergunta, gostaria de compartilhar com vocês um pensamento que venho desenvolvendo há quase 4 anos desde que escrevi o artigo Future Working Relationships para o blog Innovation Excellence. Na época eles fizeram uma série chamada “Thinking about the future” onde diversas pessoas compatilharam suas visões de futuro para os próximos 10 anos.

A síntese desse pensamento é que: – Para ser relevante nesse novo mundo é imprescindível gerar Valor Compartilhado com outras pessoas, mas para gerar valor compartilhado, cada pessoa deve ser uma Unidade Independente de Geração de Valor. A primeira vista esses 2 conceitos – Geração de Valor Compartilhado e Unidade Independente de Geração de Valor – parecem antagônicos, não é mesmo? Mas na verdade eles se complementam, pois para que façamos algo juntos e que tenha valor para ambos, é necessário que haja clareza de qual é o papel de cada um nesse processo. Sendo assim não existe mais espaço, por exemplo, para alguém que somente “gerencie” o trabalho dos outros, pois gerenciar não agrega valor ao processo, é puro overhead. Os trabalhadores dessa nova economia tem desejo de viver de forma autônoma e total capacidade de se auto-gerenciar criando assim uma rede de prestação de serviços uns para os outros e que juntos criam valor adicional ao valor que criaríam sozinhos, muitas vezes viabilizando negócios e possibilidades que jamais seriam possíveis se cada um tentasse dominar toda a cadeia de valor. É nesse cenário que começamos a ver diversas organizações em rede surgirem fazendo emergir o conceito de plataforma. Uma plataforma é um modelo integrado de oferta que cria uma experiência de consumidor única e holística, levemente controlada por seu criador e que empodera usuários e parceiros.

Mesmo as empresas mais tradicionais precisarão se adaptar a esse novo modelo organizacional se quiserem garantir sua sobrevivência. Não estou fazendo aqui nenhuma professia apocalíptica ou pregação sobre sociedades alternativas. Isso já é uma realidade e as empresas já começaram a sentir os efeitos desse novo tempo, pois é cada vez mais difícil conquistar e reter talentos dentro das organizações. Há pouco mais de 15 anos atrás, as pessoas estudavam para se formar em uma profissão sólida e buscar um bom emprego em que pudessem passar o resto de suas vidas. Essa realidade mudou radicalmente com o empoderamento que a internet e a mobilidade trouxeram para as pessoas. Hoje em dia, vemos pessoas abandonando universidades e carreiras tradicionais para empreender. Elas se organizam em pequenos grupos para criar negócios que podem tomar proporções globais em poucos anos. Veja o caso do Whatsapp que foi fundado em 2009 por dois ex-funcionários do Yahoo. O Whatsapp emprega pouco mais de 50 pessoas e foi comprado pelo Facebook por 19 Bilhões de Dólares 4 anos depois de seu lançamento. Eles valem mais do que a rede Pão de Açucar cujo valor de mercado em 2014 é de pouco mais de 10 bilhões de dólares. Quer outro exemplo? Há 10 anos atrás, o emprego dos sonhos dos jovens era conseguir ser aprovado em um massacrante processo seletivo para o programa da trainee de uma empresa de primeira linha. Eles precisavam ter MBA em escolas de primeira linha, falar ao menos 2 idiomas fluentemente, possuir experiência internacional, saber lidar com pressão, serem resilientes, fazer apresentações fantásticas, fazer trabalho voluntário, ter boa apresentação etc etc etc. Essas mesmas empresas que atraíam milhares de jovens todos os anos, estão revendo seus modelos de contratação, pois faltam candidatos e a maioria dos que entram nos programas de trainee acabam deixando a empresa entre 12 e 24 meses depois, pois não conseguem se adaptar a cultura dessas organizações.

E se existissem empresas organizadas em pequenos núcleos de geração de valor, trabalhando de forma independente em um formato de prestação de serviços? Para serem remunerados, todos precisariam vender seus serviços e prestar um serviço de qualidade para não serem trocados por outro grupo independente que preste serviços a custos melhores e com mais qualidade.  Não estou falando em um modelo de prestação de serviços interna, estou falando de um conglomerado formado por dezenas ou até mesmo centenas de pequenas empresas que prestam serviços umas para as outras, gerando concorrência, e que quando alinhadas em uma rede unificada de valor faz o serviço parecer único ao consumidor.

Acredito que nos próximos anos veremos uma transformação dramática na dinâmica dos mercados de trabalho com o fim dos empregos tais quais os conhecemos hoje. Nesse cenário não existirão mais empresas gigantescas de 100 mil funcionários, mas sim estruturas pequenas de, no máximo, 50 pessoas organizadas em rede e sem hierarquia, pois chefes não serão necessários, já que as próprias pessoas da rede irão gerenciar o trabalho umas das outras. Quem não se adequar será repelido pela própria rede. Um exemplo de como isso já está acontecendo é a Zappos que recentemente anunciou estar adotando um modelo governança chamado Holacracy. Ou seja, as condições para que isso aconteça já existem, para vermos essa mudança acontecer em escala, é só uma questão de tempo. Como disse certa vez o escritor Americano-Canadense Willian Gibson – The future is already here — it’s just not very evenly distributed (O futuro já está aqui – Só não foi ainda amplamente distribuido)!

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2 comentários em “Que valor você agrega?

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